SINOPSE
O jornalista Caio Salles retorna a São Luís depois de anos em Brasília carregando uma ferida que nunca cicatrizou: a explosão ocorrida em Alcântara, em 2003, e a sensação de que a versão pública deixou perguntas demais fora do papel. O retorno é precipitado por um arquivo de áudio clandestino, associado ao dia do acidente, no qual três pulsos e uma assinatura sonora reaparecem onde não deveriam. Quando um segundo registro, datado de 1999, apresenta o mesmo padrão, Caio percebe que o caso começou antes da tragédia que o país aprendeu a chamar de encerrada.
Ao lado da engenheira Helena Vilar, que conhece por dentro as falhas de telemetria e os silêncios do pós-acidente, da auditora Nádia Bittencourt, capaz de seguir contratos e pagamentos como rastros materiais, e do técnico de rádio Ícaro Mota, Caio reconstrói uma cadeia de indícios feita de páginas faltando, carimbos incompatíveis, ordens de serviço informais, fretes de material sinistrado, acessos apagados e terceirizações que sobreviveram ao desastre. A investigação sugere que o que foi tratado como falha isolada pode ter envolvido um segundo evento: uma alteração de referência no sistema, anterior ao fogo, seguida por uma operação de contenção documental e operacional.
A frequência, porém, não permanece confinada aos arquivos. Equipamentos falham em sincronia com sua reprodução; três pulsos reaparecem em rádios, telas, estruturas e pontos de passagem; e o próprio ambiente parece responder quando Caio se aproxima dos lugares onde o protocolo oculto deixou marcas. Entre São Luís, Alcântara e Brasília, a apuração cresce até revelar uma arquitetura clandestina identificada por códigos, símbolos e rotinas de manutenção, enquanto os responsáveis pela preservação do segredo tentam transformar o jornalista em problema administrativo, testemunha instável e alvo de procedimentos aparentemente legítimos.
Cidade das Frequências acompanha a transformação de uma investigação jornalística em disputa por cadeia de custódia, memória e responsabilidade. Em vez de separar ciência, burocracia e assombro, o romance os coloca no mesmo circuito: o metal registra, o papel reescreve e o silêncio também pode transmitir. Quando a prova deixa de depender apenas da percepção de Caio e passa a existir em medições, testemunhas e matéria física, a pergunta já não é somente o que aconteceu em 2003, mas quem continua mantendo o mecanismo ativo — e por quê.
top of page
R$ 29,90Preço
bottom of page

